Feliz com meus 20 anos

Meu aniversário é um dia de meditação profunda. Paro pra pensar em que eu sou, no quão importante é estar viva e fazer da vida algo que valha a pena. Tento imaginar o dia do meu nascimento: em que pensavam meus pais, ou no que acontecia naquele dia com outras pessoas. Penso em alguem em algum lugar no mundo que nasceu no exato momento em que eu nasci e no quanto eu gostaria de conhecer essa pessoa, e que nutro a imagem de que somos parecidas. Gostaria muito de ter me segurado no colo e ter me dito algumas coisas. Pensando assim começo a me afastar de mim mesma, como quando eu era criança e ficava dizendo meu nome várias vezes em voz alta até ele não parecer mais meu, e então eu pensava “e se eu não fosse Jade?” Naquela época achava que outro nome me faria outra pessoa, e por causa disso sempre foi muito importante que todas as minhas bonecas tivessem certidão de nascimento, pois pra mim o nome era a identidade. Me apeguei muito ao meu nome, ser Jade é mesmo ser Eu (as outras que me desculpem). E enquanto penso tudo isso um sentimento de felicidade indescritível me invade completamente; chamo isso de gratidão. Sinto um pouco disso todos os dias quando desligo a luz e deito, não é apenas a felicidade de poder dormir, é claro, mas é um sentimento de gratidão a Deus pelo dia e pelo que acontece comigo. Mas no meu aniversário isso aumenta de tamanho, pois me pesa o peso de uma vida toda a agradecer.
Penso em que eu sou e vejo como Deus age em mim alterando meu ser me fazendo ser mais eu. Penso no quanto a vida vale a pena, e sinto uma necessidade tremenda de me expandir o máximo possível, viver tudo que for possível, viver de verdade e intensamente, com a perfeita consciência de quem sou e de quem é Deus. E então quando penso em quem é Deus meu coração acelera e as lágrimas começam a molhar tudo porque o bom de fazer aniversário é ter que admitir que só se faz aniversário porque um dia Deus viu que era bom que se fizesse uma Jade, e ele mesmo sendo tão grande me viu no exato momento em que nasci, Ele sabe o que pensavam meus pais, Ele me segurou no colo e me disse algumas coisas. Coisas essas em que penso hoje, e vejo que é por causa delas que quero ter 20 anos e que é por causa Dele que me sinto tão feliz.

Viva o caos!

Já comentei aqui meu problema com a organização: ela me impede de fazer as coisas. Se eu não posto regularmente não é tanto pela preguiça mas pelo incomodo de esse blog não estar organizado como eu gostaria.

Bom, mas aproveitando que esse é um blog muito mal divulgado e também (ou devido a isso) pouco lido; vou me lançar na desordem e começar a escrever sem muitas preocupações. E a primeira prova da minha mudança é que estou escrevendo diretamente do wordpress, sem uma cópia no word devidamente revisada e corrigida, numa madrugada de domingo/segunda para a qual eu já havia planejado o sono de preparo da semana.

Proponho a mim mesma (a leitora assídua deste blog) uma escrita caótica, não na sua forma pois ainda não sou genial, mas pra começar na sua temática. (Isso me incomoda não só pela desordem mas porque escrevendo sem pensar muito corro o risco de me expor demais, deixar vazar muito o que eu penso e sinto, e assim permitir que estranhos me conheçam um pouco mais. Não gosto que estranham me conheçam.)

Ah! Caro leitor, por favor comente. Não é uma questão de coleção, mas de opinião mesmo; eu quero aprender a escrever, por favor me ajude…

EU E PENNAC EM UMA TARDE FURTIVA

Hoje resolvi fugir. Gazetei aula, comprei um capuccino e passei a tarde na companhia de Daniel Pennac: como um romance. Como um romance um livro que é uma declaração de amor à leitura e que deve ser lido por todos que se importam em transmitir a paixão por ela. Transcrevo aqui parte do texto que veio bem a calhar com a situação:

Sim, mas qual fração de meu tempo disponível vou subtrair essa hora de leitura cotidiana? Aos colegas? À tevê? Às saídas? Às noites passadas com a família? A meus deveres?

Onde encontrar o tempo para ler?

Grave problema.

Que não é um só.

A partir do momento em que se coloca o problema do tempo para ler, é porque a vontade não está lá. Porque, se pensarmos bem, ninguém jamais tem tempo para ler. Nem pequenos, nem adolescentes, nem grandes. A vida é um entrava permanente à leitura.

-Ler? Queria muito, mas o trabalho, as crianças, a casa, não tenho mais tempo…

- Invejo você por ter tempo para ler! E por que é que essa aqui que trabalha, faz compras, cria filhos, dirige seu carro, ama três homens, vai ao dentista, muda na semana que vem, encontra tempo para ler, e esse casto celibatário que vive de rendas, não?

O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Tanto como o tempo para escrever, aliás, ou tempo para amar.)

Roubado a quê?

Digamos, à obrigação de viver.

É sem dúvida por essa razão que se encontra no metrô – símbolo refletido da dita obrigação – a maior biblioteca do mundo.

O tempo para ler como o tempo para amar, dilata o tempo para viver.

Se tivéssemos que olhar o amor do ponto de vista de nosso tempo disponível, quem se arriscaria? Quem é que tem tempo para se enamorar? E no entanto, alguém já viu um enamorado que não tenha tempo para amar?

Eu nunca tive tempo para ler, mas nada, jamais, pôde me impedir de terminar um romance de que eu gostasse.

A leitura não depende da organização do tempo social, ela é, como o amor, uma maneira de ser.

(p.107)

Lendo isso, ali na mesa do Boulevard, em meio ao barulho das lojas e das gentes sem tempo para ler, senti como se eu e Pennac fôssemos cúmplices, como duas crianças escondidas embaixo dos cabides de roupas, roubando juntos um tempo. Eu para ler e ele para escrever. Mas foi mesmo um tempo roubado, porque quando percebi eu me levantava bruscamente jogando o livro na bolsa e correndo para a porta do shopping onde uma carona me esperava. Ali voltava a obrigação de viver, tinha que viajar pra casa e me ocupar das minhas obrigações rotineiras. E por mais que um livro seja muito bom, ninguém há de pensar duas vezes: terminar o livro e viajar de Belém a Ananindeua de ônibus lotado ou sair agora mesmo e ir sentada no ar-condicionado? Ali acabou o romance.

PENNAC, Daniel. Como um romance. Tradução de Leny Werneck. Porto Alegre: LP&M; Rio de Janeiro:Rocco, 2008.

NOTAS ATRASADAS DE UM PROBLEMA PRESENTE

Em março de 2010

Então é isso, chegou 2010 e não há como evitar. Sim, já estamos em março, não é bem a hora de falar isso, mas pra mim o ano começa quando as aulas começam e bom… já não tenho mais como evitar tal acontecimento tão terrível.

Cadernos e agendas para 2010

Mas não se preocupem não vou listar minhas metas. Quero apenas compartilhar um aspecto curioso de ser eu, minha fascinação por cadernos e, principalmente, por compartimentar cadernos. O negócio é o seguinte; eu sempre tento ser organizada: organizo meus livros por assunto, por nacionalidade, meu guarda-roupa por cores, minhas fotos por anos, situações e pessoas, e minhas gavetas por utilidade. Até aí considero tudo normal. Mas, então, vêem os cadernos. Não encontro os critérios adequados.

Eu adoro cadernos, e adoro escrever: perfeito, tenho uma boa desculpa. Me encho de cadernos: “esse vai ser meu diário, esse é pra uepa, esse é pra estudos em casa, esse vai ser um diário espiritual, esse aqui um bloquinho de anotações rápidas, esse aqui um bloquinho pra anotar idéias minhas e esses p/anotar frases e coisas dos outros.”. No fim, não adianta nada e cada ano que passa os cadernos sobram.

Minha desordem de tentativas

Agora, em 2010, tenho três agendas. Sim uma tentativa desesperada de organizar meu tempo, aliás minha vida.

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Em maio de 2010

Agora inicia Maio e eu encontro esse texto de um post abortado. Decidi reiniciar o blog e lendo o que escrevei no início do ano sobre meu problema com cadernos e minhas classificações, vejo que com o blog foi a mesma coisa. Minha mania de organização me atrapalha ao ponto de me fazer pensar que eu, na verdade, sou uma grande bagunceira. Aos domingos arrumo o quarto pra começar bem a semana e antes de estudar arrumo a mesa que é pra organizar os pensamentos. Demorei a postar porque queria organizar o blog, criar novas categorias, expandir os tipos de conteúdo. Queria compartilhar fotos, vídeos, músicas; me ligar no twitter, mandar RSS, enfim era preciso adentrar de verdade no mundo virtual, afinal eu quero leitores!! Mas não deu, eu sou arcaica demais. As inovações chegam pra mim em passos muitos lentos, e o pior não é me adaptar a elas, mas a organização que elas me exigem. Entendam: tudo deve seguir uma lógica. No orkut, minha mensagem pessoal, meu perfil e as fotos recentes devem seguir uma mesma linha de pensamento, um álbum do orkut deve ser organizado por temas de vida e as fotos dispostas ou por ordem cronológica, ou por ordem de importância, de beleza, de feiúra… Enfim, tem que ter uma lógica, uma coerência. Assim, meu blog deveria ter mais categorias: texto sobre algo que vi, e aí entra outras subcategorias: cinema, teatro, ou mesmo coisas que a gente vê aí pela rua; textos sobre pensamentos, e aí, nossa! Quanta subcategoria! Etc, etc, etc.

Organização! Ultimamente ando tão neurótica que preciso organizar até mesmo os momentos de felicidade. Porque se eles não forem programados, penso que são desorganização e tudo precisa estar organizado! Lógico que abandonei as três agendas, porque o paradoxal problema é que eu não consigo cumprir meus programas… eu quero muitos momentos de felicidade.

Entenderam minha psicose? Tudo bem não importa, nem eu entendo muito bem o que é isso e nem sei se é isso mesmo. O que importa é que o blog voltou e eu prometo escrever, seja organizadamente seja desorganizadamente. Juro solenemente! Juro!

Sensodyne

Já me adaptei a meus pequenos desastres. Se alguém me oferece um picolé só devo aceitar em situações em que eu possa me sujar, sujar os outros, sujar o chão e objetos ao redor. No fim das contas, só como picolé na praia, na piscina e no quintal de casa.

Para beber água do squeeze tenho que desenroscar a tampa e beber como se fosse no copo e para beber no copo, se a água for gelada, tenho que posicionar os lábios em posição estratégica a fim de evitar o contato do líquido com os dentes, o que além de ser esquisito provoca acidentes aquáticos que, em bebedouros, se transformam facilmente em afogamentos. Sim, meu nome é Jade e desde criança tenho “dentes sensíveis”. Oi.

Não fiz maternal. Com 3 anos meus pais me colocaram na escola, mas no Jardim 2. Eu conhecia o alfabeto e sabia de cor as estorinhas do “elefante baba”: pra quê desperdiçar meu intelecto enrolando massinha?!? O resultado disso foi uma tremenda falta de coordenação motora. O que, em efeito dominó, culminou na ausência de qualquer aptidão para trabalhos manuais, me fazendo odiar arte, que pra mim era artes plásticas: cortar, colar, pintar, desenhar e outras coisas que exigem a coordenação motora fina que a gente desenvolve lá no maternal.

Ontem não conseguia dormir. Já há algum tempo descobri que arte não é só artes plásticas, como estou de férias fico lendo e vendo filmes até tarde; troquei a noite pelo dia e ontem tive meus primeiros problemas de insônia fériesca. Fui à geladeira pra roubar um suculento pedaço de melancia. Peguei o pedaço espetado com garfo e fui pra perto da pia comer. Faço isso porque sou desastrada e tenho dentes sensíveis. Melancia é uma fruta perigosa quando gelada, é preciso concentração e, principalmente, coordenação para saborear, cuspir as sementes e evitar se melecar; pra mim é muito, faço isso perto da pia a fim de amenizar os desastres. Ontem enquanto comia a melancia vi uma rã, me desconcentrei, perdi a posição estratégica, a água gelada encostou no dente, meu dente doeu, deixei cair a melancia na pia e a rã pulou em cima de mim.

Há espécies de rãs que são venenosas. Se a rã de ontem fossem uma delas eu poderia estar morta, ou cega, ou queimada. Pra coordenação motora não há mais jeito, para os dentes posso usar Sensodyne e para a arte? Afe! Se eu postar isso é sinal de que não tenho noção nenhuma!

Use Sensodyne, no fim das contas é só o que funciona!

Então, é Natal!

Não costumo ser um grande exemplo do espírito natalino. Sendo sincera o Natal costuma ser uma celebração das férias e do fim do ano letivo. Aqui em casa ele passa meio batido: não tem árvore, nem luzes, nem presentes. E como isso tudo não é o verdadeiro Natal, em sua essência primeira, digamos assim, não me sinto tão culpada pelo meu lado Grinch. Entretanto, pensando nisso me senti na obrigação de escrever algo sobre o Natal, afinal um blog de uma autora cristã não pode deixar passar em branco nossa mais famosa comemoração. Sendo assim, hoje sentei para pensar “O que é o Natal?”, e depois de umas discussões teológicas na sala vim para o quarto tentar sintetizar o resultado.

O que é o Natal? A comemoração do nascimento de Cristo, o Messias prometido, o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29). E pra quê tirar o pecado do mundo? Bem, vamos lá: Deus criou o homem perfeito e livre, o livre-arbítrio trazia consigo a potencialidade de pecado e o homem pecou, em condições perfeitas Adão pecou e com ele entrou o pecado no mundo. O pecado é ofensa contra Deus e toda ofensa exige sanção e para a mais grave ofensa a mais grave sanção. Para nós a maior sanção seria a nossa própria morte, isto é, entregar a nossa vida a fim de repararmos o dano, tal como era feito com os animais nos sacrifícios do Antigo Testamento. Entretanto, a nossa morte não seria suficiente, visto que somos imperfeitos. Deus providencia, então, o sacrifício perfeito, a morte do próprio Deus.

O Natal é a celebração da vinda de Cristo, a comemoração do momento em que Deus assume a forma humana, já que Cristo era homem, mas também Deus. Era perfeito como Adão e como ele carregava o potencial de pecar, mas Adão em condições perfeitas pecou e Cristo em condições adversas não pecou. Sua morte é, então, o sacrifício perfeito capaz de agradar a Deus e suficiente para nos purificar dos pecados. Triunfa, assim, a Bondade e a Graça de Deus, o qual por sua conta nos liberta dos pecados.

Comemorar o Natal é comemorar o nascimento de Jesus, mas isso só é possível, isto é, só há motivos para comemoração quando sabemos e cremos nas implicações do nascimento de Cristo, de sua morte e de sua ressurreição.

Sucintamente e simplificademente é isso o Natal. Mas pouca diferença faz quando se está acostumado a seguir tradições sem pensar em significações. É cultural dizem os antropólogos é mau sinal digo eu.

Quem tem ouvidos para ouvir ouça

Trecho de “Cartas a um jovem poeta” de Rainer Maria Rilke.

Rilke, considerado um dos maiores poetas em língua alemã

“Se é algo angustiante e perturbador pensar em sua infância, na simplicidade e na quietude que a envolvem, porque o senhor não pode mais acreditar em Deus como o via antes, pergunte a sim mesmo, caro senhor Kappus, se perdeu realmente Deus. O que ocorre não é que não chegou jamais a possuí-lo? Pois quando isso teria acontecido? O senhor acredita que uma criança pode sustenta-lo, se os homens só o suportam com esforço, se seu peso esmaga os anciãos? Acredita que alguém, caso realmente possua, pode perde-lo como se perde uma pedrinha qualquer, ou não percebe também que quem o tivesse só poderia ser perdido por ele? – Contudo, se o senhor reconhece que ele não se encontrava em sua infância, nem antes, se intui que Cristo foi iludido por sua nostalgia e Maomé foi enganado por seu orgulho- e se o senhor sente com temor que Deus também não existe agora, neste momento em que falamos dele-, então de que lhe vale sentir falta dele, que nunca existiu, como de algo passado, e procura-lo como se o tivesse perdido?

Por que não pensar que ele é aquele que está por vir, aquele que se encontra diante da eternidade, o futuro, o derradeiro fruto de uma árvore cujas folhas somos nós? O que o impede de projetar seu nascimento nos tempos por vir, de modo a viver sua vida como um dia doloroso e belo na história de uma grande gravidez? O senhor não percebe como tudo o que acontece é sempre de novo um começo? E não poderia ser o começo dele, já que todo início é sempre tão belo? Se ele é o mais perfeito, o que há de pequeno não tem que estar antes dele, de maneira que ele possa se escolher a partir da plenitude e da superabundância? Ele não tem de ser o último, a fim de abarcar tudo? E qual sentido teríamos nós se aquele pelo qual ansiamos já tivesse existido?”

Hoje sinto que a plenitude de Deus e a convicção de sua existência desabam sobre mim. O maravilhar-se diante de quem Ele é, é algo inevitável e hoje creio, como Rilke, que os que um dia o possuíram jamais o perderão.

“Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente.” (Salmos. 16:11)