Sete desafios para ser Rei (comentário)

Sete desafios para ser rei_ Jan Terlouw_R$ 30,90

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No último post falei de uma volta às raízes, uma volta à experiência de leitura dos meus dias mais juvenis. Ainda naquele fim de semana terminei de ler Sete desafios para ser rei, e desde então o livro ficou estacionado aqui na minha mesa esperando a escrita de um post sobre ele. Eu pensei que seria legal escrever um pouco sobre aquilo que estou lendo, mas a preguiça e a incerteza de que isso seja válido, quase sempre, me impedem.

Desculpas e enrolações à parte, aqui vai um breve comentário sobre este livro na esperança de que sirva a alguém e de que, talvez, alguém se anime a lê-lo

O autor do livro, Jan Terlouw é um dos mais importantes autores de livros juvenis na Holanda, é o que diz a contracapa do livro editado pela Ática e traduzido por Tarcísio Lage e Iveline Lage. Terlouw é formado em Física e depois de atuar 13 anos como pesquisador na área se tornou político. As duas coisas aparecem no livro, um pouquinho de Física e bastante de Política.

Depois da morte do seu último rei, Katoren já está há 17 anos sem alguém para ocupar este cargo. Quem governa são os ministros que, ao que tudo indica, não andam se empenhando muito para buscar um novo rei para o povo.

A história começa quando um jovem decide se candidatar ao cargo; ele quer ser o futuro rei de Katoren:

-Ministro Recto-disse Stach-, Vossas Excelências tiveram dezesste anos para escolher um novo rei, e até agora nada ficou decidido. A minha pergunta é: o que uma pessoa precisa fazer para se tornar rei de Katoren?

Os ministros (Ministro da Honestidade, Ministro Hermano, Ministro da Eficiência, Ministro da Dureza e outros mais) escolhem 7 desafios aparentemente impossíveis de serem resolvidos para que o jovem Stach os cumpra. São desafios de governo, isto é, o jovem terá que resolver alguns dos problemas enfrentados pelas cidades do reino. Stach consegue resolver cada um deles, pois sempre procura entender profundamente cada problema e ir além do que se diz deles. Com este espírito inovador e persistente ele vai conquistando a simpatia do povo e chegando perto da sua almejada coroa.

É um livro que tem tudo para ser chato; um velho político tentando ensinar princípios de governo através de um conto infantil. Mas não, não é chato. Os desafios são muito criativos e engraçados e você fica mesmo curioso para saber como Stach vai resolvê-los. Os desafios chegam a ser um exercício de lógica, pois não existem palavras mágicas nem lutas de espadas, os problemas “impossíveis” são na verdade bem fáceis de serem resolvidos quando se tem alguém de fato comprometido em encotrar uma solução para eles.

As falas e atitudes dos ministros são uma piada à parte, pois eles representam diferentes personalidades políticas e formas de governo. Embora sejam os ministros os “antagonistas” não são pintados necessariamente como vilões, são os que querem permanecer no poder algo afinal bem próprio do jogo político.

Enfim, um livro muito agradável e inteligente. Recomendo a leitura por hobby, mas se você for pai ou professor vai poder também ter uma conversa bem legal com seus jovens.

Um momento de nostalgia sobre infância e literatura

Sexta-feira eu e mais duas colegas apresentamos uma breve palestra sobre Literatura no congresso da ACSI (Associação Internacional de Escolas Cristãs). Tentávamos mostrar a importância da literatura na educação, especificamente na educação cristã. O tema é interessante e rendeu um pequeno artigo, mas não é disso que falarei agora.

Mencionei o evento porque a preparação para ele me fez pensar muito sobre a literatura, sobre meus livros e sobre minha história de leitura. Notei que hoje costumo ler livros que me deixem ler os pensamentos dos personagens ou então livros engraçados, irônicos e debochados, como Borges por exemplo, em geral livros já muito reconhecidos de autores muito aclamados. Não leio livros de Fantasia, grandes sagas e grandes heróis. Isso ficou pra trás. Mas não posso negar que uma das minhas melhores experiências de leitura foi Harry Potter. Nunca devorei livros tão ávidamente como naquele tempo, e o intervalo de espera entre um livro e outro da série era a desculpa para explorar outros livros e me manter protegida da ansiedade da espera.

Por quê não tenho mais todo esse prazer na leitura como tinha na minha infância?

É certo que leio menos literatura hoje. Há tantas outras coisas para ler a fim de cumprir com as tarefas do dia a dia, que sentar para ler uma história, assim de graça, fica na lista de coisa para se fazer nas férias. Quando vou a uma livraria tenho mil livros na cabeça: o Ulisses que nunca li e que me lembra O Farol da Virgina Woolf e que depois lembro de que tenho que ler os franceses, Victor Hugo por exemplo que agora está em alta, daí não dá pra esquecer que é importante valorizar nossa literatura e que ainda não li Grande Sertão Veredas, nem mesmo Dalcídio Jurandir e olho para o lado e tem um estante gigante de Literatura Latino Americana e lembro do Borges, do Marquez e do Llosa de quem nunca lida nada. Na vitrine dos mais vendidos um exemplar de bolso do The Great Gatsby me lembrando de que talvez fosse importante lê-lo para comparar ao filme, aliás, quão pouco conheço da literatura americana ao que Faulkner concorda brilhando logo ali do lado em uma prateleira cheia de livros que nunca li. Minha cabeça começa a doer e começo a odiar aquele lugar que só serve para me lembrar de tudo que eu não li e do tempo que não terei.

Foi assim meio zonza que subi a rampa rumo aos livros infatis. Mas ali também é tanta coisa, tanta cor, livros se misturando à caixas de Lego, aos 467 modelos de lápis de cor da Faber Castel e outros cacarecos infantis, que passei correndo, fugindo. Cheguei à seção juvenil, um pouco mais tranquila e menos colorida. Lembrei que uma das minhas colegas havia indicado vários livros juvenis dos quais eu nunca tinha ouvido falar, só que não eram livros célebres e eu não precisava me preocupar em ler para ter uma opinião sobre eles. Decidi pegar alguns e escolher um para levar, assim, sem pretensão. Sentei no chão e comecei a ler e foi então que voltou!Me senti um pouco como antes, era a leitura da infância.

Não é que eu não aprecie a leitura “adulta”, mas acho que a pressão de ter que ter uma opinião sobre, de já ter lido livro tal, de dizer “nossa, é um clássico” atrapalha bastante. Me percebo muitas vezes escolhendo livros pelo autor, pela crítica daquele autor, pelo que ele representa e não pela curiosidade de ler a história que ele escreveu. E quando sentei no chão para escolher meu livro juvenil, a dificuldade foi justamente essa: eu queria ler todas aquelas histórias e não todos aqueles autores.

Infelizmente uma coisa não mudou muito desde a minha infância: livros não são baratos. Tive que escolher só um e escolhi Sete desafios para ser rei do Jan Terlouw. Já estou na metade, terminarei logo, pois é uma história muito bem contada. Depois volto pra o Borges (História universal da infâmia) e para Crime e Castigo, mas certamente incluirei em minha rotina livresca outras visitas a essa seção a fim de acalmar os ânimos e lembrar que o que hoje é minha profissão, falar de livros e ensinar sobre livros, começou como um inocente hobby de criança.

Nota

Eu estou sempre oscilando entre a expectativa de um novo brinquedo digital e o medo do Mr. Google.

 

 

 

Imigrantes e Nativos Digitais, e como é que fica a Literatura?

O último texto que li nessa primeira semana é um artigo de Marc Prensky sobre Nativos e Imigrantes Digitais. A idea é muito interessante e talvez verdadeira: a geração que nasce hoje é a geração dos nativos digitais, ou seja, eles não tiveram que “entrar” na cultura digital, aprender sobre ela ou mesmo pensar sobre ela, eles simplesmente nasceram nela, é seu modo de viver. Por isso, para Prensky, o principal problema na educação hoje é um problema de comunicação entre imigrantes (professores) e nativos (alunos).

Certamente o texto é um alerta: se quisermos tornar a aprendizagem algo significativo precisamos torná-la relevante dentro do mundo digital,isto é, ser falantes nativos. Entretanto fico me questionando se não perderemos coisas boas quando todos os imigrantes se forem, penso em específico na Literatura, que não me parece ser o tipo de coisa condizente com a “nova mente” digital, isto é, ler literatura é sentar e ler um livro, normalmente sem imagens, sem sons, sem links… você e o livro- ou o tablet, mas a ideia é a mesma. É claro que podemos ler um livro de forma “virtual”, isto é, simultaneamente a outros recursos online referentes àquele texto. Posso parar no segundo capítulo e pesquisar resumos sobre o livro, sobre os personagens, ver o trailer de um filme baseado no romance, ou twittar um trecho que gostei e daí me perder na chuva de links e comentários. Mas neste caso é uma leitura diferente da “tradicional” e acho que ganhamos mais quando estamos de fato imersos no livro, e somente nele.

Podemos é claro contar histórias de mil maneiras, mas o que perderemos se a “leitura contemplativa” se tornar coisa de especialistas? Acho que é algo que nós professores de Língua/Literatura devemos ter sempre em mente; entrar no mundo das histórias digitais com um pé sempre na leitura verbal.

Vendo um curso online

Ainda como parte do curso E-learning and Digital Cultures li hoje um artigo de  D. Noble sobre o problema do “digital learning”. O artigo é de 1998 e portanto a pergunta óbvia é se ele ainda é relevante 15 anos depois. E eu acho que sim, é muito relevante.

Para Noble a onda da educação à distância é principlamente um reflexo da comercialização da Educação, lembremos de Pierre Bordiue e o “capital cultural”; educação é um bem importante para ascenção social e por isso vende bem. Para Noble essa comercialização do Ensino Superior se fez em duas etapas, a primeira no que concerne às pesquisas na Universidade, onde grandes empresas patrocinam cursos, dão bolsas, fornecem material etc a fim de obter vantagens com as patentes.* A segunda etapa é a comercialização da função educacional das Universidades, isto é, os cursos que elas oferecem. Em resumo, para ele cursos online e afins são uma boa forma de negócio mas não de Educação. É aí que eu discordo.

Como disse acima, o artigo de Noble é ainda relevante hoje porque nos lembra que as Universidades não são um recanto maravilhoso do saber onde professores e administradores pensam apenas no futuro da humanidade, existem interesses políticos, econômicos e pessoais envolvidos. Mas, sinceramente, não vejo tanto problema nisso, o mundo todo é assim. Entretanto, creio que perdemos bastante com uma educação de comércio. Não se trata apenas de e-learning, mesmo nos campus penso que essa correria de publicar, palestrar e encher o lattes é um questão, primordialmente, de mercado e não de saber e, embora elogiemos o conhecimento, estamos ali mais pelo diploma, pelo título pelas portas que se abrirão, portas de conhecimento tudo bem, mas principalmente portas econômicas: o melhor emprego que eu vou ter. Não queremos pensar na educação como um produto à venda na prateleira do supermercado, mas também não nos esqueçamos que a carreria acadêmica não é muito diferente de outras profissões lucrativas que visam vender um produto.

Não quero parecer totalmente pessimista, não quero que pensem que eu jogaria meu mestrado no lixo. Reconheço o papel importante das Universidades no que se refere à reflexão e conhecimento, quero apenas dizer que não é SÓ isso, seja no campus seja na internet. Ou seja Noble toca em um ponto importante no que se refere à educação como um todo e não apenas a educação virtual.

Mas no que concerne à internet, temos uma vantagem; não precisamos passar pela burocracia acadêmica para aprender sobre aquilo que queremos. A internet é mais democrática sim, pelos menos para aqueles que tem um computador, tempo e sabem inglês. (ok, talvez não seja tão democrática assim). O texto de Noble é muito importante para não nos deixar esquecer de pensar sobre o impacto do e-learning sobre a qualidade da educação, porque se ela é pensada por vendedores e não por educadores as chances de que se perca em qualidade são grandes. Porém, ao contrário dele, creio que o aprendizaem virtual é sim muito válido para aqueles que não querem ou não podem chegar ao campus da Universidade de Edinburgo, por exemplo, que é “onde” faço este curso sobre o qual agora escrevo.

*Não é a toa que o Ciência sem Fronteiras começou oferencendo bolsas apenas para áreas mais rentáveis economicamente e a maioria dos cursos disponibilizados peals grandes Universidades como o MIT, são cursos de exatas, computação e áreas produtoras de bens mais facilmente comercializáveis do que um livro de Charles Dickens por exemplo.

Nota

CourseraAinda estou participando do curso E-learning and Digital Culture pela Universidade de Edinburgo através do Coursera.com (Digo isso pra situar os possíveis interessados) Entretanto, acho que desisti de fazer os posts em inglês. Não sei se eu tenho um público, se meu blog tem leitores, mas se tiver, acho que eles falam português mesmo.

O tema desta primeira semana e da próxima é Utopias e Distopias. Basicamente a distinção entre duas atitudes diante da tecnologia, a primeira é a dos nerds e afins: tecnologia é a grande e maravilhosa inovação que mudará pra sempre nossas vidas de forma esplendorosa, e a outra, como se pode imaginar, é aquela que vê a tecnologia como a gota d’água neste novo milênio, o monstro que veio pra destruir relacionamentos e emburrecer as pessoas.

De qualquer forma, ambas estão ancoradas em um forte determinismo tecnológico, isto é, uma visão que enxerga apenas a tecnologia como causa primária, senão a única, das mudanças na sociedade. Vale lembrar que não se trata apenas de computadores, é a visão de que tudo mudou graças à ivenção do martelo e se não fosse o martelo… nada jamais mudaria. Seja para o “bem” ou para o “mal”, em geral nos deparamos com abordagens deterministas no que concerne à tecnologia, como se não pudéssemos escapar dos males ou benefícios que ela inevitavelmente nos trará.

O livro de Daniel Chandler, Technological or Media Determinism, trata muito bem da questão e não cabe a mim entrar, agora, nos pormenores. Gostaria de dizer apenas o que a leitura dele significou pra mim. Primeiramente, contribuiu para que eu deixasse de pensar em Tecnologia como uma pessoa, um ser, uma presença… Tecnolgia é uma ferramenta ou um processo que eu uso, mas que também me afeta. Mas não é um ser, um monstro ou uma fada do novo milênio. A tecnologia é um, e certamente um muito importante, dentre tantos outros fenômenos sociais que nos trouxeram até aqui, até como as coisas estão agora. Mas ela não é tudo, nem é “alguém”.

Particularmente oscilo entre as duas visões deterministas: utópica e distópica. Me incomodam certas coisas que considero próprias da era internet: a superficiliade é a principal delas,e em segundo lugar, falo por mim, a dificuldade de ler e pensar mais do que 15 minutos uma mesma coisa.  Mas ao mesmo tempo, fico eufórica com as grandes possibilidades que a internet me abre, este curso, este livro, este blog são alguns exemplos disso. E bem que eu queria fazer parte do grupo que manja de tecnologia e inventar coisas novas.

Creio que eu sou uma pessoa normal, e muitas pessoas normais também oscilam entre estas duas visões que se tornam também dois sentimentos. Mas sendo um pouco anormal tenho uma necessidade chata de organizar demais as coisas na minha cabeça. É assim: ok Internet, pra que serve?como eu vou usar? É útil? É correto? Etc etc. São perguntas que não se respondem com um sim ou um não.  Sem deixar jamais de defender a importância da reflexão e do planejamento, acho que nisso de tecnologias agente tem que ir vivendo, deixar espaço pra o improviso e acreditar que ela não é Tudo. Enfim, quero ser criativa e criar a minha própria forma de conviver com ela.

Starting with EDC MOOC

Nota explicativa: Me inscrevi para participar do curso E-learning and Digital Culture da Universidade de Edinburgo e durante 4 semanas espero escrever sobre o que tenho aprendido e pensado a partir do material apresentado no curso e discussões online. Creio que a maioria dos posts estarão em inglês por alguns motivos práticos: 1. O curso é em inglês e escrevendo em inglês espero que mais participantes possam ter acesso ao meu blog. 2. Prática

I struggle a lot with the fact of having a blog, I like to write and to communicate some of my ideas which I think may be good to hear, but at the same time I feel that there is no point of doing that. Then I question myself about what is communication and if it wouldn’t be changing because of social media and so on, and shouldn’t I stop thinking too much about what, how and to whom I should communicate and just do it?

Besides my concerns with communication there is also those related to education. What impact technology and new media have on schools, or should have or shouldn’t have? How could we use technology to help students to learn? Not to mention my specific concern with Literature: how to stop and read an 400 pages books when people seem to have problems with more than 140 characters? (exaggerating I know)

I am also trying to organize technology and information in order to fit my purposes but I feel that in some ways my purposes are also influenced by them and this is all just a mess that sometimes is good sometimes is frustrating.

With this in mind I am now participating in the E-learning and Digital Cultures Class through Coursera Platform, it is a MOOC (Massive Open Online Course). And this abbreviation I have just learned now. I hope to see what others think about that and if you’re reading this feel free to share your thoughts too.